Friday, September 21, 2007

Suicidio

Toda sexta é aquela espectativa: quem sentará ao meu lado no bus? Na verdade pode ser do lado de quems entarei, pois a pessoa pode já estar abancada.
São quatro horas de viagem. Tem semanas que prefiro um ser silencioso. Noutras prefiro um ser falante. Sempre prefiro uma mulher bonita e cheirosa, que a patroa não leia. Existe a máxima, posso olhar, nunca tocar. Cheirar acho que faz parte do permitido, nem vou perguntar.
Hoje sentei ao lado de uma sra.. Ela carregava uma sacola de livros. Dei uma cochilada, escutei Eric Clapton lendo o jornal, fiz umas anotações. Com o canto do olho vi que ela lia anotações e estatísticas sobre suicídio.
Dias atrás discuti o assunto numa lista que frequento. Ali no meu lado estatísticas atuais lindas, belos gráficos, por idade, região, estado, método,... pensei que morbidez.
Justo quando passávamos pelo Rio Taquari a sra. perguntou-me sobre o nome do rio. Foi a deixa para uma bela e mórbida conversa.
Ela vinha a Santa Maria para uma palestra e se preparava. Justo quando passamos pela entrada de Venancio Aires comentei que era o município onde, anos atrás, era a maior taxa de suicídio per capita do mundo.
Ela não acreditou, afinal era um leigo. Contei que a taxa já superara os 35 suicidios por ano por 100.000 habitantes e que a razão indicava ser oa agrotóxicos do fumo.
Ela duvidou. Comentei que possuia artigos científicos e de uma revista popular de ciência e que poderia enviar a ela.
Ela me pediu que enviasse assim que pudesse e que seria muito grata se eu enviasse ainda naquela tarde.
Expliquei que a descoberta do assunto e interesse, surgiu quando dei aulas de Gestão Ambeintal para alunos de curso técnico (agricultura, zootecnia e agroindustria). O assunto reforçava o despertar dos cuidados dos alunos frente a agrotóxicos.
È conhecido os problemas de "nervos" que a comunidade alemã, especialmente das regiões de produção de tabaco, possuem.
Mandei os artigos. Imediatemente ela agradeceu. Agora a pouco ela me escreveu, imediatamente após sua palestra. Agradeceu imensamente o material que envei e a sorte de ter conversado.
Confessou-me nunca haver imaginado que, numa conversa de ônibus ,poderia descobrir um elemento tão puntual de um assunto que iria palestrar. Convidou-nos (lógico que falei da família) para jantar. Declinei pois imaginei que seria interessante ela confraternizar com seus pares e anfitriões.
 
A taxa de suicidio da região de Venâncio Aires é similar a da Rússia pós queda do muro, ganha do Japão.
Links> http://pt.wikipedia.org/wiki/Suic%C3%ADdio (procurar a referência do Brasil)
Tinha uma cópia da revista Galileu (xerox) sorte que achei este link para enviar. Alem disto enviei artigos que recebi de um psiquiatra.
 
 

1 comment:

Rafael Reinehr said...

A pessoa certa no lugar certo... Meu bisavô materno(agricultor) suicidou-se, enforcando-se. Como é bom poder ser útil, não? Ontem uma amiga me perguntou o que mais gosto na vida. Lhe respondi que era saber, aprender, conhecer, ensinar, ser reconhecido e criar. Talvez o "ser reconhecido" não fizesse parte de um "ser iluminado", mas quem disse que sou? Hehehe. A sensação de ensinar algo e saber que aquilo vai ajudar alguém é muito boa! Isso me faz lembrar que tenho que deixar de bobagens e dividir um pouco mais do que andei apre(e)ndendo nos últimos anos. Alguns (como eu) sempre acham que "ainda não estão prontos" para partilhar o conhecimento...

Sobre os morangos de Agudo: são mesmo o máximo! Eu sei que você compreendeu que não me referia a eles justamente porque quebrariam minha metáfora, não é? Um abraço fraterno. PS: gostaria de conhecê-lo pessoalmente dia desses.